Chupim

O chupim é uma ave passeriforme da família Icteridae.

Também conhecido por azulego, maria-preta, chopim, vira-bosta, chupim-vira-bosta, godero, gaudério, cupido (Maranhão), papa-arroz-escuro (Paraíba), rola-bosta (ES), engana-tico e Maria Vadia (Nordeste goiano). Dá nome a uma canção de Renato Teixeira. É provavelmente a ave mais odiada do Brasil, principalmente por causa de seus hábitos reprodutivos parasitários, pois nunca cuida de seus próprios ovos, sempre os botando nos ninhos de outras aves para que elas criem seus filhotes. Nada menos do que 55 espécies já foram listadas como hospedeiras, desde aves maiores até menores do que o vira-bosta.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) Mölos = luta, batalha; e thöskö = impregnar, para o pai; e do (latim) bonara, bonariensis = bom ar, referente a região de Buenos Ayres na Argentina. ⇒ Pássaro de Buenos Aires que luta pela atenção dos pais. Referência feita à constante luta dos filhotes desta espécie pela alimentação oferecida pelos pais adotivos em detrimento aos irmãos.

Características

Mede cerca de 20 centímetros. O macho adulto é preto-azulado, mas dependendo da iluminação só se enxerga a cor negra. A fêmea é marrom-escura. Pode ser confundido com a graúna (Gnorimopsar chopi), mas este é maior e possui o bico mais alongado e fino. Difere das duas outras espécies do gênero Molothrus, a iraúna-grande (Molothrus oryzivorus) e o chupim-azeviche (Molothrus rufoaxillaris) por ser bem menor que o primeiro e um pouco maior que o segundo, que além disso também apresenta a parte inferior das asas mais clara e uma mancha avermelhada na base inferior das asas.

Subespécies

Possui sete subespécies:

  • Molothrus bonariensis bonariensis (Gmelin, 1789) - ocorre do leste da Bolívia até o Paraguai, Brasil, Uruguai e região central da Argentina;
  • Molothrus bonariensis minimus (Dalmas, 1900) - ocorre nas Antilhas, nas ilhas de Martinica, Trinidad, Tobago, nas Guianas e no norte do Brasil;
  • Molothrus bonariensis cabanisii (Cassin, 1866) - ocorre do leste do Panamá, na região de Darién, até a Colômbia;
  • Molothrus bonariensis venezuelensis (Stone, 1891) - ocorre na região tropical leste da Colômbia e no norte da Venezuela;
  • Molothrus bonariensis aequatorialis (Chapman, 1915) - ocorre da região tropical sudoeste da Colômbia até o oeste do Equador e na ilha Puná;
  • Molothrus bonariensis occidentalis (Berlepsch & Stolzmann, 1892) - ocorre no extremo sudoeste do Equador, na região de Loja, e no oeste do Peru, da região sul até Lima;
  • Molothrus bonariensis riparius (Griscom & Greenway, 1937) - ocorre da região tropical leste do Peru, na região do Río Ucayali, até o baixo rio Amazonas, no estado do Pará.

Indivíduos com plumagem leucística

O que é leucismo?

O leucismo (do grego λευκοσ, leucos, branco) é uma particularidade genética devida a um gene recessivo, que confere a cor branca a animais geralmente escuros.

O leucismo é diferente do albinismo: os animais leucísticos não são mais sensíveis ao sol do que qualquer outro. Pelo contrário, são mesmo ligeiramente mais resistentes, dado que a cor branca possui um albedo elevado, protegendo mais do calor.

O oposto do leucismo é o melanismo.

Alimentação

Possui uma dieta onívora, alimentando-se principalmente de insetos e sementes, mas ocasionalmente come frutos. Costuma frequentar comedouros com sementes e quirera de milho. Também pode se alimentar de carrapatos em capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris).

Reprodução

O período entre julho e dezembro marca o início da reprodução, mas é após o acasalamento que se inicia a fase pela qual a espécie é mais conhecida. Esta espécie não constrói ninho e a fêmea põe 4 ou 5 ovos por postura, sendo um no ninho de cada hospedeiro. Porém, em ninhos de sabiá-do-campo (Mimus saturninus) e joão-de-barro (Furnarius rufus), já foram encontrados 35 e 14 ovos de chupim, respectivamente. Para chegar ao ninho hospedeiro, segue os futuros “pais adotivos”. Os ovos são de colorido uniforme e com a casca sem brilho, branco-esverdeados, vermelho-claros ou verdes, ou ainda com manchas e pintas, conforme a região geográfica. O tico-tico (Zonotrichia capensis) é muito parasitado e a adaptação vantajosa para o chupim é a postura de seu ovo antes, ou no mesmo dia, daquela do primeiro ovo do hospedeiro. Como o período de incubação do vira-bosta é de 11 ou 12 dias, um a menos do que o do tico-tico, seu filhote, que é bem maior, nasce antes. Desta forma, o filhote do chupim pode eliminar do ninho seus companheiros tico-ticos ou receber mais alimento, tendo maior probabilidade de sobrevivência. Quando abandona o ninho, o filhote chupim é alimentado pelos pais adotivos por 15 dias, solicitando alimento no bico através de um chamado característico, abaixando o corpo e tremulando as asas. Também pode colocar seus ovos em ninhos de galinhas domésticas, como a garnisé.

Exemplos de "pais adotivos" - Parasitismo

Furnariidae

Hirundinidae

Icteridae

Mimidae

Parulidae

Passerellidae

Passeridae

Thraupidae

Tityridae

Troglodytidae

Turdidae

Tyrannidae

Vireonidae

Hábitos

Habita paisagens abertas como campos, pastos, parques e jardins. Entre junho e setembro é muito gregário, concentrando-se em pousos noturnos comunitários ou buscando alimentos em gramados e áreas campestres com capim baixo. Nessas concentrações, é possível observar os machos ameaçando-se mutuamente com seu característico comportamento de apontar o bico para cima e caminhar em direção ao oponente com as penas brilhando ao sol.
Na região da caatinga realiza pequenas migrações locais, sempre em busca de áreas verdes e com água.

O hábito de fuçar nas fezes do gado à procura de sementes mal digeridas lhe conferiu seu nome popular vira-bosta. Segue o gado para capturar os insetos por ele deslocados. Aprende a comer em comedouros artificiais de aves, a catar migalhas em locais públicos e a seguir arados para capturar minhocas e outros pequenos animais. É considerado uma praga agrícola, especialmente em arrozais do sul do país. O macho se exibe para a fêmea com voos curtos nos quais canta sem parar, arrepia suas penas e bate as asas semiabertas, e também com apresentações que envolvem eriçar as penas, balançando-as rapidamente e vocalizar. Sua vocalização atinge frequências inaudíveis para os seres humanos. Na serra gaúcha, migra de meados de fevereiro a meados de setembro.

Distribuição Geográfica

Ocorre em todo o Brasil e América do sul, menos na cordilheira dos Andes.

Referências

Galeria de Fotos